Pão
"O pão que sobra à riqueza,
distribuído pela razão,
matava a fome à pobreza
e ainda sobrava pão."
António Aleixo
Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]
"O pão que sobra à riqueza,
distribuído pela razão,
matava a fome à pobreza
e ainda sobrava pão."
António Aleixo

"No silêncio de um abraço cabe todo um dicionário"
Malik
A folha que cai
do livro da vida
é tempo que vai
foi luta perdida

Naquelas águas-furtadas
memórias estão gravadas
da descoberta de amar,
carícias, beijos desajeitados
vergonha, rostos rosados
juventude a despertar;
Sem malícia ou maldade
sonhar a realidade
vivendo-a com sofreguidão,
respirando ansiedade
transpirando mocidade
dentro do peito um vulcão;
E passados tantos anos
de acertos e enganos
lembrei-me de ti em flor,
um sorriso apareceu
afinal quem esqueceu
o seu primeiro amor?
Malik

Andava meio cismado
por ver-te entediada,
nada fiz de errado
nunca saí do teu lado
mas senti-te melindrada;
Mudanças súbitas de humor
mostravam insegurança,
o teu olhar perdeu fulgor
fugias do nosso amor
ser feliz era lembrança;
Sentados a conversar
sobre nós e sem queixume,
acabei por constatar
o que nos estava a assombrar
era só o teu ciúme;
Será possível amar
verdadeiramente sem ciúme?
Depois de te abraçar,
sem nada para perdoar,
reacendemos o lume.
Malik

Lá fora, o frio magoa.
Viajo no nevoeiro
que paira sobre a lagoa
deixando-me ficar olhando
pela vidraça
como que saboreando
memórias numa barcaça
que se estão afundando.
Tempo que vem
que nos trouxe sorriso
e momentos no paraíso,
tempo que passa
e o sonho despedaça
o grito amordaça
e continua passando.
Cá dentro, o frio magoa.
Malik

A criança corria
o mundo fugia
debaixo dos pés,
ia crescendo
na onda do tempo
ao sabor das marés;
Oferecia magia
criava alegria
risos eram mil,
seu olhar brilhava
enquanto brincava
no parque infantil;
Cantava
saltava e dançava
inocência sem dor,
qual flor delicada
nascida e criada
em ninho de amor;
Mundo de cor
estrela calor
arco-íris no ar,
rosa sem espinho
ternura e carinho
a desabrochar;
Pétalas encarnadas
talvez encantadas
por fada de luz,
ventos de harmonia
de noite e de dia
ainda sem cruz;
Da tranquila idade
para a mocidade
sem poder escolher,
aquela criança
depois da bonança
será uma mulher;
Tanta felicidade
lembrará mais tarde
no livro da vida,
da infância pura
ingénua e segura
já não permitida;
Falará de saudade
e da liberdade
de que usufruiu,
nostalgia dum tempo
tão simples e lento
que ontem partiu.
Malik

Semeei sonhos nas minhas noites
para afastar os pesadelos,
fantasmas que me davam açoites
ou me afagavam os cabelos;
Nunca soube se lá estavas
como actriz ou figurante,
todas essas madrugadas
são agora águas passadas
em estado delirante;
Despertar num mar de medo
transpirado em terror,
vivendo isto em segredo
como se fosse um bruxedo
mesmo feito por amor;
Só que amar não é isso
posse não é permitido,
está para além do proibido
pois amar só tem sentido
se nada há de submisso;
Hoje a tranquilidade me invade
colho da sementeira
sonhos de liberdade
sem ciúme, sem tempestade
e durmo a noite inteira.
Malik

Ventos
de outros tempos
trouxeram-nos até aqui.
Agora,
deitado a teu lado
fico acordado
alinhavando o sonho,
arrumando o passado.
Agora,
ventos deste tempo
sopram-me ao ouvido
vivam o momento
esqueçam o tempo
do vento antigo.
O vento que chega
o vento que fala
não é de ninguém
e felizmente
ninguém o cala.
Malik

Não mais há momento
para abraço frio
distância ou desvio
de sonhos escondidos
perdidos no tempo.
Procuro e não tenho
esboço ou desenho
isento de ironia,
sem qualquer sedução
chamo a solidão
para companhia.
Ilusões de memória
não fazem história
do que não se passou,
mas ainda assim
falando por mim
ganhou quem amou.
Malik
62 seguidores
A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.